Descrição de um castelo

Em vez de preparar um outro post, resolvi dar uma pausa para ajudar a definir alguns termos relativos aos castelos e fortalezas.

Essa é uma lista em desenvolvimento! E eu vou continuar adicionando mais detalhes a este post.

Minha ideia é tanto oferecer uma ajuda para aqueles que, como eu, são fascinados por este universo, porém ainda não sabem bem o que é, assim como também me ajudar com algumas traduções, já que eu aprendi a maior parte do que eu sei em diferentes línguas estrangeiras.

Quanto à definição do próprio castelo ou fortalezas, vou deixar para um post em separado por que por incrível que pareça, esse é um assunto polêmico, já que essa definição depende da época, local e muitas vezes historiador (!!)

OBS! – Muitos dos livros que tenho sobre castelos em português são de Portugal devido à natural escassez de castelos no Brasil, e podem haver diferenças para o português do Brasil!

OBS! 2 : Lembrando sempre que não sou um historiador 🙂

Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Torre de menagem (EN “Keep” – Francês – “Donjon”)

Último ponto de defesa do castelo e muitas vezes local de moradia do nobre ou comandante da guarnição, é o ponto principal administrativo ou militar na maioria dos castelos.

É normalmente encontrado no ponto mais alto e/ou central do castelo.

Torre de Menagem castelo de Dover Inglaterra
Torre de menagem – castelo de Dover, Inglaterra
Torre de Menagem castelo de Newcastle Inglaterra
Torre de menagem  – castelo de Newcastle, Inglaterra

Inicialmente eram feitos em sua maioria de madeira, porém este seria um dos primeiros edifícios a serem modificados para pedra assim que possível.

De fato, foram os normandos no séc.XI, depois da invasão da Inglaterra, que inicialmente começaram a construir suas torres de menagem em pedra (nos castelos de mota ou “moat and bailey”) e com isso iniciaram definitivamente a era dos castelos em pedra na Europa.

Castelo de mota – precursor dos castelos

Um outro fato interessante é que foi do dounjon (termo francês para torre de menagem) de que surgiu a palavra dungeon (calabouço) que erroneamente descreve o mito de que abaixo dessas torres encontravam-se calabouços, nos quais mantinham-se prisoneiros. Isto não condiz com a realidade, entretanto, havia algo tão terrível quanto: o oubliette.

Panos de muralhas, muros ou muralha (do latim, murus / vallum

Os muros que cercavam diretamente o pátio central do castelo ou mesmo a própria torre de menagem.  Esse é o ponto mais visível e conhecido em muitos castelos, e também sua principal linha de defesa.

Inicialmente, no começo da alta Idade Média, eram construídos em madeira nos já mencionados castelos de mota. Os romanos já se utilizavam de avançadas técnicas de construção e defesa em seus muros de pedra, mas essa tecnologia em grande parte se perdeu na Europa após o fim do Império Romano Ocidental.

Muralha do castelo de Spis
Castelo de Spis

Normalmente os muros tem em seus lados torres ou barbacãs para maior proteção. E em fortalezas de maior prestigio, possuem torres em todo o seu entorno.

Existem, é claro diversas variáveis, como a que foi desenvolvida durante e após as cruzadas e que dá o nome aos castelos concêntricos. Isto é, castelos que possuem muros duplos ao seu redor, sendo o primeiro menor que o segundo.

Castelo concêntrico de Krak des Chevaliers na Síria
Castelo concêntrico de Krak des Chevaliers, na Síria – Foto por Arian Zwegers

Barbacã de porta (inglês, “barbican” – origem iraniana: “parivraka”)

O que pode ser mais difícil de se atravessar do que as sólidas muralhas de um castelo? Um barbacã de porta.

Criadas para proteger as entradas principais do castelo ou fortificação, elas contem todas as maiores tecnologias militares da época para cortar o avanço inimigo.

Ao entrar em uma barbacã, o inimigo se veria cercado por paredes com aberturas de todos os lados, de onde os defensores teriam fácil tiro contra os invasores. Acima ainda haveria diversas aberturas chamadas de mata-cães (murder holes) de onde pedras e líquidos quentes seriam jogados.

Barbican no castelo de Lewes
Barbacã no castelo de Lewes

Além de estar sob constante ataque ao entrar no barbacã, o invasor ainda teria que se guiar em muitos destes sistemas por pequenos labirintos e quinas anguladas, que lhe forçavam a se colocar no campo de tiro dos defensores.

Estas incríveis estruturas podem ser encontradas tanto diretamente conectada aos muros do castelo ou à frente dos muros com uma pequena ponte guiando atá os muros do castelo.

Barbacã em Cracóvia – Foto por Ludek

Apos o seculo XV poucos barbacãs foram construídos devido aos avanços no uso da pólvora que tornaram estes (e a maior parte das tecnologias nos castelos) obsoletos.

Quanto ao termo Barbacã: de acordo com explicação dada pelo Doutor Gomes Martins, Doutor em História Medieval e autor do livro “Guerreiros de Pedra”, sobre a diferença entre os termos barbican e porta de barbacã, é que barbacã acabou por se tornar um termo genérico para qualquer defesa externa de um castelo, enquanto o que conhecemos em inglês como barbican, é o equivalente em português à barbacã de porta.

 

Torres

Existem muitos tipos de torres em um castelo ou fortificação e é importante termos a definição por tipo, uso e arquitetura sempre que possível.

Os romanos já se utilizavam ativamente de técnicas de defesa com torres em pedra.

Torres podem vir a ter diversos formatos, porém no início era mais comum que as torres tivessem um desenho quadrado. Isto infelizmente facilitava muito a sua destruição, já que ao cavar em um dos seus cantos, era possível colocar a torre inteira abaixo.

Percebendo esse pequeno problema, os construtores desenvolveram técnicas para a construção de torres em formato circular ou semi-circular, que permitiam à torre aguentar os ataques dos sapers (construtores de minas por baixo dos muros, a fim de minar as defesas)

Além de servirem como importantes instrumentos na defesa das fortificações, as torres ainda eram comumente utilizadas como prisões, e em muitos casos como cofres onde eram guardados os tesouros do reino. Isso se dava pelo fato óbvio de que uma torre possui acesso mais difícil e, por isso, maior segurança.

No livro “Guerreiros de Pedra”, Miguel Gomes Martins comenta que o próprio testamento do Rei Sancho I de Portugal, em 1210, ordenava que se distribuísse o tesouro real pelas torres dos castelos de Coimbra, Leiria, Alcobaça, Tomar, Évora e Belver.

Sancho I – O segundo rei de Portugal

E não somente ouro era guardado nas torres. No ano de 1352, em Portugal, definiu-se que todos os tratados e documentos da Coroa deveriam ser guardados na torre Albarra do castelo de Lisboa (Torre do Tombo).

Torre da cerca:

Torre Romana
Torre romana

Esse é o tipo mais comum de torre em um castelo e abrange todas as torres conectadas ao muros do castelo/fortaleza com o intuito de se ampliar o campo de visão/tiro dos defensores e reforçar a estrutura dos muros.

São de grande importância na defesa de um castelo, já que permitem ao atacante atirar contra um inimigo na base do muro de forma lateral.

Torres de Avila - Visitando Castelos
Torres de Ávila, Espanha – Visitando Castelos – Foto por Pelayo2

 

 

 

Este é só o começo. O assunto rende e o post continua em construção. Vamos adicionar mais conteúdo com o tempo 🙂

Em construção
Em construção